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A Bela e a Fera: Uma metáfora sobre a AIDS!

Quem já viu o filme A Bela e a Fera pode pensar que se trata da história de uma jovem que fica presa em um castelo até se apaixonar por seu sequestrador e acabar com maldição que ele e seus funcionários sofrem? Porém, e se dissessem para você que o filme é, na verdade, uma metáfora sobre a AIDS? Quando soube desta história fiquei louco e fui pesquisar. Quando eu descobri que era verdade tudo fez mais sentido se olharmos com mais atenção para o contexto onde o filme foi lançado. Era o início dos anos 90, quando a epidemia da AIDS assombrava o mundo inteiro. Por ser um tabu, a Disney precisaria abordar o tema com muita sutileza e inteligência.gde-10

O diretor da nova versão que chegou aos cinemas no dia 16 de março, Bill Condon, contou que o compositor Howard Ashman se viu representado na história da mocinha de vestido amarelo, só que no papel da Fera. Tanto que ele pediu que o roteiro focasse mais nessa personagem, que tinha sofrido uma maldição que afetava não apenas ele, mas todos os que o amavam, algo que o próprio Ashman viveu quando ele descobriu ser portador de HIV.

Howard Ashman é um dos primeiros compositores do show business a assumir o HIV

Howard Ashman é um dos primeiros compositores do show business a assumir o HIV

Ashman tinha descoberto sua soropositividade há pouco tempo. Após convencer os produtores, ele conseguiu fazer da história uma metáfora do que ele estava vivendo na vida real. Ashman é um dos primeiros compositores do show business a assumir o HIV, que causou sua morte aos 40 anos, no dia 14 de março de 1991 – quatro dias após a exibição do filme-teste. “Ao nosso amigo, Howard, que deu voz à sereia e a alma da Fera”, é a mensagem que aparece no final dos créditos da versão animada do clássico “A Bela e a Fera”. A dedicatória quase enigmática, esconde a história de um dos heróis de carne e osso da Disney, o produtor executivo Howard Ashman. beauty-and-the-beast-emma-watson-1200x675

Ele se sentia amaldiçoado e isto tinha provocado o sofrimento de muitos que o amavam.  Existe também a esperança de viver um milagre antes que a última pétala caísse e que assim, o feitiço fosse quebrado e por fim, ele viveria o amor verdadeiro como humano.

A música  acima “Canção da Multidão”, que pede a morte da Fera foi uma maneira que Howard encontrou de manifestar seus sentimentos em relação ao estigma social que acompanha a AIDS. Jeffrey Katzenber “chefão” da Disney pagou por uma enfermeira particular para Ashman, para que ele continuasse a trabalhar no filme quando a saúde do compositor se deteriorava. O filme deu a Ashman três indicações ao Oscar: melhor trilha sonora e melhor canção, para “Belle” e para “Beauty and The Beast”. Ele venceu o prêmio com a segunda canção, e seu parceiro recebeu uma estatueta póstuma em seu nome. O compositor trabalhou ainda nas trilhas de “Alladin” e “A Pequena Sereia”. O curioso é que essa revelação foi feita na semana em que foi divulgado que LeFou, o ajudante do vilão Gastón em A Bela e a Fera, seria retratado como homossexual no novo filme. LeFou, vivido por Josh Gad: “Alguns dias ele quer a companhia do Gaston e nos outros dias ele quer beijar o Gaston, ele está confuso”, relata o diretor do longa,  na mesma semana  a Disney veiculou seu primeiro beijo gay em um desenho animado: o cartoon “Star vs. As Forças do Mal”, que passa no canal Disney XD.

A atriz Emma Watson e o ator Dan Stevens revelaram a inclusão de vários tópicos atuais e referências a relacionamento gay e AIDS no filme. Intérprete da protagonista Belle, Watson falou ao jornal britânico Daily Mail sobre as reflexões que passaram por sua cabeça enquanto lia o roteiro do filme. “Era importante para nós dois termos consciência do que fazia os nossos personagens se sentirem diferentes”, explicou a estrela da saga ‘Harry Potter’.

Responsável por dar vida à monstruosa Fera do filme, Dan Stevens expôs a razão do desenho de 1991 ser tão popular na comunidade LGBT: “Talvez diga respeito ao fato dos dois personagens serem perseguidos. A Belle é vista como esquisita na cidade em que vive, por gostar de ler e inventar coisas, e a Fera por conta de sua aparência”.

CURIOSIDADE:

Foi Howard Ashman que sugeriu aos produtores de “A Pequena Sereia” que buscassem a inspiração para a personagem “Úrsula” na comunidade gay. A proposta inicial era que a vilã fosse construída a partir da super-bitch Alexis Colby, personagem de Joan Collins. Quando a ideia foi rejeitada, Ashman  encontrou na drag queen Divine a composição ideal para a mulher que roubou a voz de Ariel.ursula

Bom pessoal parece que depois que juntamos todas essas informações a beleza do filme faz mais sentido ainda. Eu fiquei encantado com todos os detalhes e cuidados para que o filme tivesse a fidelidade da primeira versão.

 

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